Uma ótima reportagem, uma triste realidade

Entendo a Bicicletada como um movimento livre, sem hierarquia, sem líderes e independente.  E na mesma medida que elencamos aqui um universo de contradições que penalizam os ciclistas em nossa cidade, podemos também enaltecer o que acontece de bom.

Hoje saiu uma reportagem de folha inteira (página 6) na Gazeta do Povo, mostrando as dificuldades de quem usa a bicicleta como meio de transporte. Excelente produção que aponta para o fato de não existir espaço para bicicletas nos grandes eixos estruturais de transporte em Curitiba.

Na contramão desta realidade, a prefeitura da cidade, que já se glorifica dos “mais de 100km de ciclovias” –que vão de parque a parque, não enxergando a bicicleta como um meio de transporte-, vai lançar no domingo que vem o Circuito Ciclofaixa (de lazer) tal qual já existe em São Paulo. Os poucos mais de 4 km já estão demarcados com faixas vermelhas no centro da cidade e funcionarão somente aos domingos.

O mais interessante é observar que, a administração da Capital dos Carros (segundo o IBGE 2010, Curitiba é a capital mais motorizada do Brasil), é rapidíssima para acabar com as vagas de estacionamento nas ruas centrais a fim de liberar mais faixas para os carros; faz sem falar, sem discursar, numa ação efetiva e com muita vontade política. Já quando a questão é Projeto Cicloviário, as coisas vão bem mais devagar do que os ininterruptos congestionamentos em nossa “ecológica” cidade. Quer dizer, existe aquilo que eles querem fazer- e fazem-, e aquilo que não vão fazer- e prometem. É claro que o futuro, a perder de vista, é um discurso tão confortável e politicamente oportuno, que nele cabem 400km de ciclovias, verbas do PAC da Copa, a ciclofaixa em toda a Mal. Floriano e tudo o mais que você já leu e ouviu por aí.

A jornada dupla dos bikers, é a matéria do Rafael Waltrick mencionada ali no segundo parágrafo.

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