Irritar motoristas é política pública na Europa

Enquanto as principais obras de Curitiba continuam a priorizar mais pistas e maior fluxo de veículos (Anel ViárioLinha Verdenovos binários), e essa tendência começa a ser copiada pelas cidades do interior que já começam a sofrer com o esgotamento da capacidade das vias (Binários ganham o interior), cidades européias já se destacam em caminhar num sentido contrário: atrapalhar o fluxo de veículos.

Num primeiro momento isso pode parecer um absurdo, mas todo o trabalho é priorizado para tornar as cidades mais amigáveis às pessoas. Uma matéria no The New York Times (Across Europe, Irking Drivers Is Urban Policy) faz uma comparação do estilo americano de urbanismo (mais pistas, semáforos sincronizados, ajuda para encontrar vagas de estacionamento) com esse estilo europeu (ruas sem carros, travessia livre para pedestres, prioridade para ciclistas e o transporte público). Algumas exceções são citadas, como a cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, que já executa ações semelhantes de retirada de veículos de zonas do centro.

É importante citar que a falta de espaço urbano nas cidades europeias obrigou os gestores públicos a tomaram medidas como essas e que receitas prontas não existem para solucionar esse grande problema das cidades modernas. Mas tal diferença, seja cultural ou de espaço físico proprieamente dito, não justificam a insistência local de gestões municipais em manter um modelo de urbanização voltado para o conforto de uma minoria motorizada em detrimento da qualidade de vida de toda uma população que utiliza a cidade. Definitivamente, não levantamos bandeiras por uma causa própria, mas em busca de melhorias para todos, sejam elas pesssoas cientes ou não dos problemas da motorização excessiva da cidade.

Flávio Krüger

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