Motorista atropela dezenas de ciclistas na Massa Crítica de Porto Alegre

Retirado do blog da Massa Crítica – POA

Depoimentos das testemunhas poucos minutos após o atropelamento.

3 ciclistas foram atropelados na ciclovia em Copa

Oi,

a ZH criou um enquete para saber se uma ciclovia em Porto Alegre iria impedir o acidente de ontem. Bem, parece que não.

Em Copacabana (Rio), um motorista subiu a calçada e atropelou três ciclistas. Segundo a matéria do Jornal O Dia uma das vítimas teve fratura exposta e corre o risco de ter a perna amputada.

Jornal O Dia: http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2011/2/tres_pessoas_sao_atropeladas_na_ciclovia_de_copacabana_146805.html

Jornal do Brasil: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/02/25/carro-sobe-no-calcadao-e-atropela-pedestres-no-posto-5-em-copacabana/

 

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Fossa Crítica – Reflexões (longas) sobre o Atropelamento em Massa

Caros Colegas

No post anterior, procurei enfatizar a estrutura dos fatos, esperando manter a claridade das coisas e evitar que surjam idéias que acabem distorcendo a realidade ou que venham a ser usadas com o peso indevido nas decisões que a Polícia, a Justiça ou mesmo nós venhamos a tomar.

Assim sendo, dedico este post às reflexões.

Não é de hoje que a preocupação com o trânsito, por parte dos ciclistas, leva muitos de nós a participar de forma ativista em diversos movimentos. Muito alegra e anima ver a Casa da Bicicleta tomando forma, a Massa crescendo a olhos vistos, Bicicletagem Jardinária, passeios ciclísticos noturnos em quantidade abundante, projetos de lei, bicicletários no Mercado Público e pressão sobre as autoridades, entre outros.

Esse progresso todo, aliado ao clima de crescente engajamento, pluralidade, assiduidade e principalmente “bom desempenho” das massas críticas tem aumentado o otimismo, a esperança e a motivação em achar que estamos no caminho, que as coisas estão acontecendo, que a sonhada realidade viável para as bicicletas e para as pessoas no trânsito da nossa cidade está chegando.

Mas eis que então se abate sobre nós o Martelo de Thor, personificado por um irresponsável e infelizmente típico representante

  • de uma classe sócio-econômica
  • de um modelo de comportamento
  • de um modelo de pensamento

que – e é assim… – tem PODER para oprimir e agredir.

E o que mais entristece é que esses modelos de comportamento e pensamento:

  • são conhecidos, mas não são questionados ou combatidos;
  • são, ao contrário, estimulados por uma série de forças sociais e econômicas;
  • têm esse estímulo ratificado cooperativamente pelo Governo, que deveria ser o primeiro órgão regulador a, em benefício da coletividade, combatê-lo.

Falo aqui de várias coisas (desculpem se sou vago demais), mas em especial da pressão econômica da indústria automotiva, da ressonância governamental com um modelo carro-cêntrico, mas principalmente do lado escuro do comportamento humano, um lado que a civilização vem se esforçando há milênios para inibir e controlar, mas que a adubação de vaidades narcísicas disfarçada de progresso pessoal, social e econômico faz questão de trazer à tona, deixando multidões perigosamente expostas a perigos sutis, mas traiçoeiros, e por vezes cruéis.

A fim de refrescar a memória, e de melhor cristalizar os conceitos de que falo, peguei aqui o excelente livro “Fé em Deus e Pé na Tábua”, do renomado sociólogo brasileiro Roberto da Matta. Antes de prosseguir em minhas reflexões, compartilho com os colegas alguns trechos muito pertinentes e sugestivos:

“Nas ruas das grandes cidades brasileiras, temos multidões de condutores de veículos que dirigem no melhor estilo Carlota Joaquina, com todas as suas expectativas aristocráticas e suas consequentes frustrações e danações.”

“O que faz o cidadão mediano entender que o pedestre a atravessar a rua à sua frente está cometendo um abuso ou uma ofensa contra sua pessoa e merece ser punido? O que leva esse motorista a enterrar furiosamente o pé no acelerador e suspender sua fé em Deus?”

“Somos uma sociedade marcada por origem e formação politico–social hierarquizadas. Até 1888, o Brasil teve escravos, e até 1889, quando se proclamou a República, uma base aristocrática; seus códigos de comportamento refletem a realeza e o baronato, e é assim que tudo nela, inclusive as vias públicas e seus veículos,  faz parte de uma escala de desigualdade. No Brasil, o papel de motorista e seus veículos são lidos como emblemas de desigualdade. Há um contraste entre o gozo doato de dirigiu o prazer de estar ao volante, com uma total ignorância da responsabilidade civil deste ato no que diz respeito às suas consequências. Escapa aos motoristas qualquer conotação negativa do veículo, como sua potência esua capacidade para produzir acidentes, danos e mortes.”

“O choque e o conflito decorrentes do encontro de expectativas hierárquicas – quem tem um carro mais caro, anda mais bem vestido,  fala melhor etc. espera um reconhecimento tácito de sua superioridade  – com a imposição da igualdade por meio de sinais obrigatórios e universais, estão na base desta guerra ou combate. Esse conflito traduz o que chamamos de estresse, desconforto, nervosismo, raiva e impaciência.
Deste ponto de vista, a impaciência no trânsito seria um modo de reagir a essa prescrição igualitária. Tal combinação de igualdade coercitiva com hierarquia habitual e costumeira produz esses surtos de malcriação e agressividadeque tipificam o trânsito no Brasil.”

“Essa passagem de cidadão a pé para cidadão motorizado não foi discutida ou sequer compreendida em profundidade pela sociedade brasileira, que ainda desenha o papel do motorista enfatizando direitos e privilégios e, aristocraticamente, esquecendo deveres e responsabilidades. Deste modo, segue-se, mais uma vez, o código das hierarquias e se confunde a “licença” (ou a carta) para dirigir um veículo motorizado com um emblema de superioridade social. O resultado dessa atitude é que o indivíduo-cidadão investido do papel de motorista julga-se com muito mais direitos do que seu companheiro de espaço público (ou de rua) que está a pé, quase sempre invisível para quem está dentro dos veículos.
Pior que isso, muitas vezes é percebido como um obstáculo e um atrapalhador sem direitos. Quem está verdadeiramente (in)vestido ou armado pelos seus veículos e licenças legais toma, sem nenhuma discussão ou problema, os pedestres como adversários e obstáculos à sua trajetória. O motorista teria todos os direitos, enquanto que os pedestres só deveres, sendo o principal o de não atrapalhar o trajeto e o movimento livre dos carros.
Temos, então, por um lado, os motoristas (que enfiam o pé na tábua), que se pensam como tendo somente privilégios e direitos; e, por outro, os pedestres (englobados pela fé em Deus), vistos como subcidadãos cujo atributo é ter um conjunto de deveres ou obrigações. Neste sentido,  fomos tão longe em nosso descaso com qualquer compromisso com a igualdade como um dever (e um direito) de todos, que os motoristas têm o privilégio de ocupar as ruas usando-as como bem entenderem, assim como as calçadas e praças.”

“O fato concreto é que nós não aprendemos a resolver essas questões porque o que realmente sabemos é que esse outro dentro do carro ao lado é um desconhecido. Por isso, ele deve ser – axiomaticamente – situado como inferior (ou superior), até prova em contrário. Diante dele, as normas gerais somem ou são absorvidas pela situação que deve ser solucionada pessoalmente. O resultado final do conflito entre o padrão hierárquico (que busca e sabe das diferenças entre pessoas) e o igualitário (que as desconhece, não precisa conhecê-­las e, mais que isso, deve desconhecê–las, senão não poderia ser igualitário) é, até hoje, um enigma no caso do Brasil. Dizer que jamais sabemos o resultado é um exagero.”

Acho que as considerações acima já nos põem no “clima” das implicações e das motivações potencialmente ocultas daquilo que aconteceu hoje.

Algumas coisas marcaram profundamente a minha mente nos momentos que se seguiram ao atropelamento, enquanto eu ainda estava com pouca dor, muita surpresa, voz trêmula e uma certa vontade de chorar (não de dor ou raiva, mas decepção, o sentimento predominante até agora):

  • a constatação de que, ao contrário do que eu imaginava até hoje, EXISTE esse nível de agressividade, esse nível de risco, esse nível de exposição na relação pedestre/ciclista perante o motorista. Eu usei minha bicicleta e o meu corpo para limitar o avanço do carro, num contexto completamente compatível com o que temos feito nas Massas: apartar bicicletas e veículos motorizados durante o percurso, ocupar o espaço na via e ordenar, de forma física, o tráfego das bicicletas primeiro, e dos carros que vêm atrás, que logicamente seguirão seu trajeto normalmente na próxima quadra, na próxima rua, na próxima esquina, assim que a Massa tiver acabado de passar, o que afinal de contas nunca demora tanto assim. Durante meus deslocamentos cotidianos, a divisão do espaço que eu ocupo e do espaço que o carro que vem atrás de mim ocupa é feita assim: se eu paro, ele para atrás de mim. Isso é trânsito, é assim que funciona. Pois ao usar minha bicicleta e meu corpo hoje, isso JÁ NÃO FOI suficiente: cruzou-se uma barreira até então tida como intransponível. A relação de tráfego entre mim e ele (entre nós e ele) foi violentamente convertida em uma relação de agressão e invasão pessoal, íntima, mas não tão íntima: ao invés do cara a cara, foi metal contra carne, com os evidentes prejuízos decorrentes da desigualdade. A implicação disso? Irreversibilidade, precedente estabelecido. Para mim, e para muitos de nós de hoje em diante (e possivelmente não até então), estar na frente de um carro com o motor ligado é um equivalente próximo a enfiar o cano de uma arma de fogo na boca enquanto alguém está do outro lado com o dedo no gatilho. Muito triste.
  • a (re)constatação de que a natureza insidiosa das tentações oferecidas pelo carro e pelo motor, e a natureza perversa dos comportamentos mais irracionais e primitivos do ser humano, continua sendo sistematicamente aperfeiçoada com os mais avançados conhecimentos da engenharia, do design e da ergonomia. A sensação de distanciamento e alienação proporcionada pelos vidros, pelo barulho inexistente do motor, pelo conforto absoluto dos bancos acolchoados, pelo posicionamento simbiótico de todos os comandos necessários, torna tão mínimo o esforço necessário para conduzir o veículo, que O POTENCIAL DE CAUSAR UM GRANDE DANO IMPULSIVAMENTE é enorme, dependendo apenas da “força do pensamento” e de um questionável (porque humano) auto-controle. Pelo que vi ontem, o esforço dispendido pelo motorista para atropelar dezenas de pessoas foi menor do que o necessário para dar uma bofetada na cara de alguém: bastou mexer o pé. Isso é poder! Agressão pessoal direta, íntima, mas à distância de um vidro e uma lataria. E nossa sociedade está exposta a esses riscos em níveis incalculáveis, porque para ter 80 ou 300 cavalos sob o pé basta ter dinheiro. Mais nada.
  • e se fosse uma passeata a pé? Haveria tanta raiva? Haveria um ato de agressão selvagem como esse? Me parece que não. A conclusão provisória é de que, por algum motivo obscuro, a bicicleta desperta (me corrijam se eu estiver errado) o ÓDIO de muitos motoristas. Por que?

Apesar de tudo isso, creio que nos foi dada de presente, apeser da forma degenerada, uma oportunidade ímpar: a de multiplicar em ordens de magnitude a repercussão dessa Massa Crítica de ontem. Dada a dimensão do absurdo, a discussão que deverá se seguir tem um potencial de alcance tão grande que deve ser aproveitado tão intensamente quanto possível, tanto para aumentar e aprimorar o movimento Massa Crítica, quanto para levar mais alto, junto à mídia e a autoridades, idéias, necessidades e problemas que há muito já difundimos, mas cuja repercussão limitada faz com que demorem a serem ouvidos ou atendidos.

Como já foi dito, haverá uma reunião às cinco da tarde, domingo, na Casa da Bicicleta. Eu vou sem falta, e creio que essa é uma boa oportunidade para darmos seguimento a todas as discussões pertinentes.

Então, até lá, e muitíssimo obrigado pela paciência e pelo interesse em ler este texto.

Deixo uma última frase do livro de da Matta, como um estímulo adicional à reflexão sobre o que eu considero que deveria ser o ponto crucial da Massa, bem como de quaisquer outras manifestações em prol de algum ideal de “trânsito melhor”:

“O que falta internalizar mais do que ouvir, vociferar, criticar e repetir é o respeito e a obediência à lei em função do Outro– do cocidadão que conosco compartilha, como um igual, do mesmo espaço público –, e não apenas pela lei em si ou pela autoridade que a representa.”


 

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Critical Mess: Comentários sobre as primeiras notícias do Atropelamento em Massa

Caros Novos Colegas

Meu nome é Helton Scheer de Moraes, ciclista desde sempre, e é a terceira vez que participo da massa crítica. Considerando a coincidência de eu ter sido um dos primeiros a ser atropelado e ter visto tudo, e de ter sido convidado recentemente a participar no blog da Massa, aproveito para tentar atender a pedidos que tenho visto nos comentários das notícias da internet até agora, para que haja informações mais detalhadas da parte de quem estava lá.

Li e reli as notícias (os termos de busca ‘ciclistas josé do patrocínio‘ foram os que retornaram mais e melhores resultados no Google), e as notícias do Sul 21 e da Rádio Guaíba (com áudio de entrevistas no local)  resumem bem os fatos, portanto não vou me ater a re-contar a história com detalhes, está praticamente tudo lá.

O que acho fundamental fazer, é re-contar algumas notícias com informações enviesadas (intencionalmente ou não) que encontrei em diversos sites. Mais importante ainda: o que expresso abaixo são opiniões pessoais, que de forma alguma pretendem representar integralmente a opinião dos demais participantes do movimento! Vamos lá:

Clic-RBS:

Diretor da EPTC diz que órgão não foi avisado sobre pedalada coletiva

O passeio dos ciclistas que acabou no atropelamento de dezenas de participantes na noite de sexta-feira, em Porto Alegre, não teve acompanhamento de agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). De acordo com o diretor do órgão, Vanderlei Cappellari, a EPTC não foi avisada sobre a ação. (curioso, pois na Rádio Guaíba diz “O gerente de Fiscalização da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Carlos Pires, ressaltou que a orgão sabia da realização do evento, mas não recebeu pedido para acompanhar e dar segurança aos ciclistas.”

O passeio não recebeu acompanhamento da EPTC porque a idéia é essa mesmo! A Massa Crítica não quer tratamento especial, não é organizada por representantes que possam ou devam mandar avisos. Queremos simplesmente circular, em caráter ordinário e cotidiano, pela via pública, exatamente da forma como, na condição de cidadãos e condutores de veículos, temos o pleno direito de fazer. Sem qualquer caráter de excepcionalidade.

(enquetezinha tangencialmente inserida no meio da reportagem):

>>> Você acha que uma ciclovia em Porto Alegre poderia ter evitado o acidente?

É claro que não… Em especial não UMA ÚNICA ciclovia… A idéia da Massa é que TODOS os veículos circulem fraternalmente por TODAS as vias públicas. Mesmo se houvesse uma ou mais ciclovias, a Massa CONTINUARIA existindo na forma atual, e obviamente não circularia pela ciclovia, mas sim pelas vias públicas em geral (e talvez nas problemáticas, em especial).

Cappellari avisou que não informar sobre um movimento que interferirá no trânsito o transforma em uma atividade irregular.

Sendo assim, todos os engarrafamentos do mundo são irregulares. Segundo o efeito borboleta, simplesmente sair à rua é irregular, pois cada veículo que sai à rua interfere no trânsito, pois faz parte dele! Aliás, o trânsito é, por definição, constituído desse conjunto mutuamente interferente de veículos. A ser como alega o Sr. Cappellari, todos os (no mínimo) três passeios noturnos que ocorrem TODAS AS SEMANAS em Porto Alegre são irregulares.

Sobre o atropelamento, o diretor afirmou que espera auxiliar a Brigada Militar a encontrar o motorista suspeito de ter avançado sobre os ciclistas.
—  Isso com certeza não é uma ocorrência normal de trânsito — classificou.

Ufa, que bom que uma tentativa de chacina gratuita não é considerada normal. Tomara que não vire moda (desculpem a ironia, mas…).

O grupo Massa Crítica defende a bicicleta como meio de transporte mais democrático e sustentável, em contraponto aos uso de carros, motos e ônibus.

O uso da palavra “contraponto” aqui merece cuidado: não se trata de antagonismo, mas de alternativa! Isso nunca deve ser esquecido!

Correio do Povo:

“Os cerca de 150 atletas pertencem ao grupo Massa Crítica”

Os massacríticos não são, em princípio, atletas. São pessoas comuns, “como eu e você”, pessoas que, longe da bicicleta, em nada diferem do restante da população. Definir os participantes como atletas – um conceito relativo a desempenho físico – não seria correto nesse caso.

“Quando o acidente aconteceu, o grupo ocupava a José do Patrocínio e agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) desviavam o trânsito.”

O correto: quando a TENTATIVA DE ASSASSINATO (NÃO FOI ACIDENTE!)  aconteceu, a EPTC não estava lá (e, como foi dito, nem se esperaria que estivesse). APÓS a tentativa de assassinato, a EPTC passou a desviar o trânsito.

Terra:

“Segundo ele (Major Maya, 9° Batalhão da BM), a BM ainda está apurando uma outra versão: a de que o motorista raspou em um ciclista e os outros o fecharam, o que teria causado o atropelamento.”

Muita calma nessa hora, mas em princípio:… NÃO, NÃO E NÃO FOI ISSO QUE ACONTECEU!

  • O motorista não raspou em ninguém: ele empurrou, de propósito, um ciclista/bicicleta, com seu carro, de forma ameaçadora, no mínimo uma vez logo antes do atropelamento em massa. Isso eu VI, porque eu estava 3 metros à frente dele nesse momento, olhando para trás para ver o que estava acontecendo.
  • Os outros não o fecharam causando o atropelamento. Ele já estava “fechado” desde o início da manifestação, ou seja, há pelo menos uns 500 metros, simplesmente pelo fato de que as bicicletas estavam circulando na pista toda, como é próprio da Massa Crítica.
  • O que CAUSOU o atropelamento foi a aceleração do veículo, de propósito, contra o grupo de ciclistas. Não houve um momento em que o atropelamento aconteceu, houve o momento em que ele começou, porque – isso eu VI E VIVI (porque fui praticamente o primeiro a ser atropelado) – logo depois de me atingir, ele levou um BOM TEMPO para percorrer um BOM TRECHO atropelando consecutivamente dezenas de bicicletas, sem desviar e sem diminuir a velocidade, de maneira muito semelhante à de uma colheitadeira em meio ao milharal, com a diferença de que, felizmente, as bicicletas e os ciclistas foram lançados para cima e para os lados, e não para baixo do carro. De novo: NÃO FOI UM ACIDENTE! FOI TENTATIVA DE HOMICÍDIO!

Sul 21:

“Segundo relatos de testemunhas, os ciclistas foram atingidos por um Golf preto, que seguia o grupo desde o início da José do Patrocínio. Um desentendimento anterior, no qual uma pequena colisão ocorreu, teria sido o estopim da agressão.”

Perfeitamente correto. Só vale lembrar que a pequena colisão foi provocada pelo carro ao forçar passagem sobre um ciclista, e não o contrário. Se fosse o caso, o ciclista é que deveria estar muito indignado-e-com-razão.

“Abaixo, vídeo publicado no blog do Movimento, com depoimentos de testemunhas do atropelamento premeditado.”

Os trechos “que seguia o grupo desde o início” e “atropelamento premeditado” não traduzem a realidade. O atropelamento seria melhor descrito como:

  • um impulso irresponsavelmente irracional e descontrolado, que denota uma fragilidade psíquica no mínimo muito preocupante
  • que caracteriza um tipo de comportamento inadmissível ao volante
  • que deveria ser o principal alvo dos exames psicotécnicos
  • e que na minha opinião deveriam servir com folga para eliminar permanentemente qualquer chance de uma pessoa dirigir um veículo automotor

Por enquanto, em termos de clippings de imprensa, acho que era isso.

Obrigado por lerem, e boa sorte a todos que foram direta ou indiretamente envolvidos nessa inacreditável violência.

 

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Convocação – Assembléia

Tendo em vista os acontecimentos trágicos desta sexta-feira,  faremos assembléia na Cidade da Bicicleta (Rua Marcílio Dias, 1091) neste domingo, dia 27/2 às 17h.

Não podemos deixar isto passar em branco. Precisamos agir.

Conforme conversamos no local do atentado (NÃO FOI ACIDENTE), o dia 25 de fevereiro a partir de hoje, será o Dia da Bicicleta em Porto Alegre.

 

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Motorista atropela dezenas de ciclistas na Massa

Depoimentos das testemunhas poucos minutos após o atropelamento.

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