Maiorias ou minorias?

No Brasil, 63,6% da população se desloca de ônibus, a pé ou de bicicleta. Pouco mais de um terço, apenas 36,4% utiliza transporte individual motorizado, sendo que 23,8% opta por carros e 12,6% por motos. […]

Os dados constam no estudo que o Ipea (PDF no GoogleDocs) divulgou nesta semana sobre Mobilidade Urbana.

[…]Não só em São Paulo, mas em todas as regiões é comum a priorização da ampliação da malha viária (leia-se construção de avenidas, viadutos e túneis), em detrimento de investimentos na melhoria do transporte coletivo. As cidades são pensadas para beneficiar uma minoria, enquanto a maioria se espreme cada vez mais em ônibus apertados e lentos devido aos congestionamentos provocados pela quantidade absurda de carros circulando.

[…] Mesmo sem oferecer serviços satisfatórios, as principais redes de transporte público adotam políticas tarifárias agressivas, excluindo parte da população. Nem todo mundo anda de bicicleta porque é saudável ou divertido – tem muita gente que não tem opção.

Fonte: http://outrasvias.com.br/2011/01/28/onibus-caminhadas-e-bikes-a-opcao-da-maioria/

Quando se protesta contra a expansão viária unicamente em favor dos carros e em detrimento das pessoas que se deslocam a pé, em bicicleta ou em transportes públicos, alguns costumam argumentar que a alocação orçamentária e definição de prioridades atende à “vontade da maioria”. Só se for da maioria motorizada, porque a população usuária do carro particular individual é claramente minoritária. Minorias precisam ser ouvidas e preservadas, mas não determinantes absolutas.

E se os governos investem tanto em estruturas em favor dos carros(1), não deveriam também investir em transportes públicos, cujas tarifas não fossem excludentes a nível tão extremamente significativo? Por que a distribuição precisa ser tão desigual?

 

(1) sabendo que o IPVA não cobre as necessidades para esse fim e outras fontes são então aportadas.

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