1º Inventário Nacional de Emissões

Foco da atenção mundial, as mudanças climáticas tem envolvido diversos setores em torno de discussões sobre a mitigação de seus efeitos. Ainda sem muito consenso sobre como agir efetivamente, nações ensaiam ações em diversas frentes para minimizar suas emissões de gases de efeito estufa. Embora seja questionado por partes da sociedade sobre o antagonismo entre decisões políticas, como a recente redução do IPI para veículos, o Governo tem tomado diversas atitudes, sendo que algumas merecem o devido respeito.

Fundamental para um bom entendimento da questão, os inventários nacionais de emissões de gases de efeito estufa, realizado por diversos países, retrata o cenário das principais fontes poluentes. O Brasil apresenta uma situação em que grande parte de suas emissões provém das alterações de uso da terra e floresta (basicamente, degradação e desmatamento). Isso amplia a importância da conservação das áreas naturais ainda existentes no país.

Ainda essa semana, um outro trabalho foi lançado, o 1º Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários (arquivo em pdf), realizado pelo Ministério do Meio Ambiente. Analisando esse documento, é possível entender o cenário brasileiro sobre as emissões de veículos automotores.

Emissões de CO2 fóssil, por modal

As emissões de todos os tipos de caminhões e comerciais, se somadas, respondem por praticamente metade do volume total, mostrando que o transporte de cargas rodoviário é um modal extremamente poluente mas necessário devido a atual falta de opções. Se além disso somarmos as emissões dos transportes coletivos, quase atingimos 3/4 do volume total de emissões de CO2 fóssil. O último 1/4 de emissões fica a cargo dos automóveis, sendo a parte restante de motocicletas. Em análise mais ampla, o setor de transportes é o que mais causa impacto na qualidade do ar.

Considerando o transporte urbano de passageiros, dados da Agência Nacional de Transportes mostram a falta de diversificação do setor.

Transporte de passageiros

Os modais sobre trilhos ainda são muito poucos, e acessíveis a apenas parte da população que reside em grandes cidades. Destaca-se a grande quantidade de deslocamentos a pé, embora os pedestre ainda sejam ignorados quando se trata da questão de planejamento urbano. Existe uma forte tendência de aumento da frota de motocicletas no país, com incentivos do Governo através de financiamentos facilitados e redução de impostos. É interessante acompanhar esses dados, já que as bicicletas, silenciosas e invisíveis nas cidades, respondem pelos mesmos 3% dos deslocamentos feitos por motocicletas, e com a ausência de incentivos e políticas públicas voltadas para a ciclomobilidade.
Na análise dos dados de emissões pelo setor de transporte de passageiros, a comparação entre transporte coletivo e individual demonstra o grande problema que as cidades sofrem.

Relação entre nº de passageiros e emissões de gases

A falta de priorização em investimentos no transporte público, as altas tarifas praticadas pelas empresas e o acesso cada vez mais facilitado a crédito para aquisição de automóveis e motocicletas resultou nesse cenário atual. O transporte individual conduz o mesmo número de passageiros mas polui nada menos do que 40 vezes mais.

Até dezembro deste ano, o Grupo de Trabalho responsável pela elaboração do Inventário Nacional realizará o detalhamento das composições das emissões de poluentes nas 10 maiores regiões metropolitanas do País: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém.

Flávio Krüger

Atualização de 15/04/2010: veja também a análise do Nich.

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