Senhor motorista,

Se ainda não sabe, porque nasceu com rodas no lugar dos pés, precisa saber: muitas faixas de “segurança” para travessia de pedestres, mesmo em semáforos, não contam com sinalização para as pessoas em deslocamento a pé. Elas ficam sem saber em que condição se acha o sinal para os carros. Se não há carros parados no sinal vermelho, a pessoa a pé não tem a menor noção se o sinal está verde ou vermelho para os carros, a quem se destina a sinalização. Portanto, é o motorista que tem que ter cuidado.

Então, não pense que o sinal verde para você lhe dá o direito de matar. Não tome como verdade esta charge.

Senhor motorista: reduza a velocidade ao andar em meio urbano. Ao avistar pessoas ao lado da pista, principalmente quando se tratar de crianças e idosos, tire o pé do acelerador com antecedência, diminua a velocidade até o ponto em que seja possível reagir de forma a que não aconteçam “acidentes”. Se não tem visibilidade para antecipar movimentos, diminua ainda mais a velocidade. Não adianta buzinar se não tiver tempo para reação.

Para nós lhe considerarmos sem culpa, não basta que o sinal esteja verde (e daí você achar que tem o direito de acelerar à vontade, porque não tem). Para nós você só será considerado inocente se conseguir demonstrar que foi impossível evitar o atropelamento. Eles saíram de detrás de uma parede que lhe impedisse de vê-los com antecedência? Atiraram-se à sua frente, em atitude suicida? Lembre-se que quem tem a arma é você.

Já estamos habituados a considerar que a culpa geralmente é das pessoas desmotorizadas, que surpreendem constantemente aos motoristas. Até a lei é benevolente com os carros, imersos que estamos na cultura, na sociedade do automóvel. Mas esse paradigma já está mudando, pode começar a mudar seus hábitos e deixe de exercer a sua prepotência. Seja mais gentil no trânsito, antecipe-se às surpresas.

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