Largue o carro e vá de bike!

Eles começaram a utilizar a “magrela” por brincadeira de criança e hoje utilizam ela para tudo. Seja por praticidade, rapidez, economia, pelo meio ambiente ou para passear, você também pode usar a bicicleta e encarar o asfalto sobre duas rodas

Publicado em 20/02/2010 | ANGELA ANTUNES

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Priscila Forone / Agência Gazeta do Povo / Leandro, Gustavo, Elizeu e Natália: bike para todas as horas

Leandro, Gustavo, Elizeu e Natália: bike para todas as horas Foto: Priscila Forone / Agência Gazeta do Povo

Como conviver em meio ao trânsito e pedestres?

De acordo com essa galera, além de ter que cuidar – e muito – com os motoristas que não respeitam o espaço dos ciclistas, é preciso observar também os pedestres. “Muitos pensam que quando o espaço é de circulação compartilhada, se trata apenas deles”, conta Leandro. “Até mesmo nas ciclovias, muitos pedestres não abrem caminho”, completa Nina. “Se os pedestres andam na ciclovia, não podemos reclamar. Agora se a gente anda na calçada, eles reclamam”, aponta Natália. A solução é ter confiança em seu espaço e respeitar o próximo – seja nas calçadas ou nas ruas. “Eu ocupo o meu espaço. Se você anda no cantinho e com medo, ninguém vai respeitar você. Você tem que mostrar que está ali”, explica Nina.

Ciclovias esburacadas dificultam o tráfego

Se um motorista se depara com um ciclista na rua, pode pensar que ele está ali por opção. Mas, muitas vezes, os problemas são as más condições das ciclovias e das calçadas. “As ruas têm bueiros enormes e calçadas horríveis. Não é legal ficar incomodando os motoristas, mas, às vezes, não tem outra opção”, conta Leandro. “As ciclovias estão todas esburacadas, e algumas são muito pequenas. E aí ela acaba do nada, no meio do caminho”, explica Nina.

Maria Miranda, coordenadora do Plano Cicloviário de Curitiba, garante que existe um projeto que tem por objetivo recuperar as atuais ciclovias e implantar novas estruturas cicloviárias, que podem ser ciclovias, ciclofaixas ou pistas compartilhadas. Para colocar isso em prática, está sendo elaborado um plano diretor. “Estamos na fase de conclusão desse plano, que traça as diretrizes para que estas ciclovias sejam melhor distribuídas, com conexões com a rede existente”, avalia.

No entanto, não se trata de um plano de obras. Ou seja, para colocar em prática o que está no papel, o ciclista precisa de muita paciência. Para 2010, por exemplo, não existe nenhuma mudança significativa prevista, apenas a implantação de alguns novos trechos de ciclovias em obras que já estão em andamento como, por exemplo, a Linha Verde. “Não tem como fazer 100% das ruas com estrutura cicloviária”, explica Maria.

Para recuperar problemas pontuais, como buracos, Maria garante que basta entrar em contato com a prefeitura. “A manutenção do pavimento é de responsabilidade do distrito rodoviário de cada região. Atendemos aos pedidos da comunidade – se o ciclista vê, ele pode e deve fazer uma solicitação ao 156”, completa.

Economia

A bike chegou na vida dessa turma por lazer. Mas na hora de ir para o colégio, a “magrela” ganhou uma nova utilidade. “Eu guardava esse dinheiro (do ônibus) e ia de bicicleta. Sempre odiei ônibus”, conta Nina Kaspchak, de 17 anos. Leandro Scholz, 20, começou a usar a bike para tudo aos 13 anos. “Tudo que eu precisava eu fazia de bicicleta”, diz. Além de não gastar combustível, Leandro garante que a manutenção da bike é algo bem fácil. “Com o carro, você tem que ir ao mecânico gastar dinheiro. Na bike, você aprende a mexer sozinho”, conta.

Liberdade

Quem usa a bike tem mais liberdade. “Você faz o seu próprio caminho”, resume Elizeu Greber Filho, 19. “Você se sente dentro da cidade”, garante Leandro. O carro, no fim das contas, fica guardado para viagens ou imprevistos. “Eu só ando de carona”, reforça Natália de Medeiros Costa, 20. Para Marc Olaf Thiessen, também 20, a bike é a melhor opção. “Não tenho vontade de andar de carro”, garante.

Praticidade

Andar de bike em Curitiba significa chegar mais rápido ao seu destino. “A gente sempre chega antes que o pessoal de carro”, brinca Natália. E não é só isso – apesar de ter que cui dar com o lugar em que vai esta cionar a bike (veja mais no box ao lado), a solução é sempre mais simples. “Se você está de carro e vai ao shopping, tem que ficar um tempão procurando vaga”, reitera Gustavo Roos, 20 anos.

Esporte

A bike é um grande exercício físico – ideal para os jovens que não têm vontade de encarar uma academia. “Eu não faço nenhum outro esporte”, garante Nina. E para os mais empenhados, dá até para embarcar de forma profissional. “Os jovens participam cada vez mais das competições”, conta Leandro. E você, vai ficar fora dessa?

Priscila Forone / Agência Gazeta do Povo

Priscila Forone / Agência Gazeta do Povo / Para Gustavo, de bicicleta se chega sempre mais rápido ao destino

Para Gustavo, de bicicleta se chega sempre mais rápido ao destino

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Bicicleta ideal

A bicicleta ideal nem sempre é aquela com mais marchas ou o lançamento do momento. “Depende da idade, do estilo da pessoa, seus costumes e do tipo de atividade que ela vai fazer com a bicicleta”, explica Gustavo Laynes, gerente da loja especializada Bike Tech. Leandro Scholz também dá a sua dica. “Não precisa ser ‘a boa’, mas tem que ser uma que se encaixe em você”, garante.

Mudança

Para Leandro, o ideal para que mais pessoas andem de bike é não ver o meio de transporte apenas como lazer. “Os pais pensam assim, e ensinam isso aos filhos desde o começo da infância. Se a pessoa aprende que bicicleta é para andar no parque, ela vai demorar para amadurecer a ideia e tentar usá-la no dia-a-dia”, pondera.

Dicas

O tradutor Gabriel Nogueira, de 28 anos, é usuário assíduo da bicicleta no seu cotidiano. Por isso, ele dá algumas dicas para a galera que vai embarcar nessa:

> “Ciclistas que pedalam até 20 km/h devem utilizar a calçada. Em ritmo mais forte, deve usar a rua”.

> “Lembre-se que uma vez na rua, você é invisível. Certo ou errado, você é o mais frágil na equação do trânsito. Confira o cruzamento antes de seguir em frente!”

> “Sinalize as suas intenções e só execute conversões ou mudanças de faixa uma vez que você tenha certeza de que foi visto.”

> “Mountain Bike não é a melhor bicicleta para a cidade. Além das cores chamativas e das marchas chamarem a atenção dos ladrões, os pneus largos prejudicam a pedalada sobre o asfalto. Opte por uma bicicleta leve, com pneus finos e de preferência com apenas uma marcha. Você pode deixá-la presa no poste sem a preocupação de que ela vai ser roubada”.

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