Erro sistemático – calçadas, ciclovias ou armadilhas e as concessionárias

Andando pelas calçadas (e ciclovias) curitibanas notamos em muitos lugares afundamentos e buracos perigosíssimos junto a poços de inspeção de tubulações sob o piso dessas vias, quando não ao longo delas.

Não bastassem as falhas embaixo das calçadas ainda temos postes, canteiros, árvores, orelhões, pedras etc. obstruindo a caminhada e em cima os galhos, troncos e cabos aéreos mal dispostos, no mínimo prejudicando a iluminação pública ou caindo durante ventanias e chuvas mais fortes.

Nossa capital é uma cidade em crescimento, não estabilizada. Curitiba 2010 é muito diferente daquela prosaica capital dos anos 50. Nossos carros também se multiplicaram, os ônibus e caminhões ficaram mais pesados, o clima está mudando. Ou seja, a cidade sofre um stress que não existia há poucos anos, quando grande parte da infraestrutura atual foi construída.

Em relação às calçadas a desculpa oficial é a de que os proprietários dos imóveis confrontantes são os responsáveis pela manutenção ou acionamento das concessionárias e PMC via 156 (nosso prefeito) ou telefones específicos das empresas dedicadas à prestação de serviços públicos. Assim temos milhares de gerentes governando algo que afeta a todos que caminham e/ou usam bicicletas.

E o prefeito?

Não podemos esquecer a crise econômica. Nossas prefeituras levaram uma brecada enorme com o golpe aplicado pelos banqueiros americanos (Obama que o diga). O Governo Federal brasileiro estimulou a retomada do desenvolvimento com a redução de impostos que afetam diretamente as cidades (participação fiscal). Os outros impostos, taxas e encargos devem continuar intocáveis, temos PAC, inclusive os juros extorsivos para ajudar nossos banquinhos (HSBC, ITAÚ, BRADESCO, BB, Caixa etc.)…

O que nossos prefeitos esquecem é que poderiam corrigir muita coisa simplesmente exigindo (judicialmente se necessário) das concessionárias total respeito às normas de urbanismo, acessibilidade e segurança. Afinal as empresas concessionárias (federais, estaduais e municipais) devem ter assinado contratos de concessão submetendo-se às leis brasileiras. Para tornar a coisa mais eficaz os prefeitos poderiam ir para a mídia orientando a população a apontar problemas e cobrar seus direitos e prejuízos.

Em Curitiba COPEL, SANEPAR, PMC e empresas de telecomunicações poderiam se unir em consórcio para uma reengenharia da cidade, refazendo circuitos, ampliando a rede subterrânea de distribuição de energia e telecomunicações, substituindo postes e luminárias, trocando a arborização por espécies mais adequadas, refazendo calçadas e ciclovias etc. Com certeza não seria difícil obter financiamento para obras dessa espécie, desde que bem projetadas e feitas com boa técnica (aí é que mora o perigo!).

Essa parceria entre entidades com excelente potencial técnico daria consistência ao trabalho de correção da cidade. Será essencial, contudo, a prática de boas técnicas. Não é preciso ser engenheiro, arquiteto ou urbanista para se descobrir imperfeições gritantes. A quantidade de falhas é desproporcional ao que se poderia admitir em decorrência de quadros eventualmente agressivos. A visão de ciclovias e calçadas novas afundando ao lado de poços de inspeção de canalizações e/ou ao longo de alguns trechos é preocupante, além de mostrar perigos aos pedestres e ciclistas.

Na administração das cidades está na hora de corrigirmos erros clássicos sob pena de quebrarmos as pernas em algum buraco, sermos esmagados por alguma árvore ou virarmos manchete de jornal na condição de vítima de algum assalto (em consequência das facilidades que nossos meliantes encontram para trabalhar) ou atropelamento.

Se gostamos de nossas cidades, vamos lembrar nossos políticos que existem ferramentas e recursos não utilizados.

Cascaes

http://www.joaocarloscascaes.com/

Anúncios