ciclovia não é a solução

“Não existe infraestrutura de ciclovia no meu caminho” ou “os motoristas não respeitam” são as principais desculpas que são dadas para si e para os outros para não se deslocar de bicicleta.

A Prefeitura Municipal de Curitiba recentemente apresentou um novo plano de ampliação e consevação da malha cicloviária da cidade. Um plano cuja maior qualidade é a quantidade de ciclovias/ciclofaixas/calçadas compartilhadas , caso elas sejam realmente contruídas (e caso sigam os mandamentos cicloviários, coisa que não tem acontecido por enquanto). Mas vai dificultar a primeira desculpa.

E não impedirá a segunda. Mesmo que exista uma ciclovia que saia da porta da sua casa e o leve até a porta do seu trabalho/escola/lazer, haverá a justificativa da ameaça dos carros contra a vida dos ciclistas. Ainda que a grande maioria do motoristas não seja um assassino voluntário, o medo é justificável. Isto porque além do planejamento urbano  privilegiar (de longe!) os deslocamentos motorizados (por que nenhuma ciclovia nova passa pelo centro?) a mentalidade é a de que os ciclistas atrapalham o trânsito. Uma questão de cultura ou, em outras palavras, de educação.

Vejamos o exemplo de duas cidades.

Joinville é conhecida como a capital das bicicletas. Há um enorme contingente de ciclistas na cidade, embora este número tenha diminuído sensivelmente nos últimos anos. Há algumas ciclofaixas relativamente recentes na cidade mas não não são muito utilizadas. O ciclista usa a rua junto com os automóveis. E é respeitado na maior parte do tempo. A massa de bicicletas e a cultura da cidade não faz do ciclista alguém atrapalhando o trânsito.

menino caranguejoO joinvillense Menino-Caranguejo pelo jeito não anda muito de bicicleta

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Paris tem tido políticas públicas (como o Vélib e a ampliação da rede cicloviária) invejáveis. Mas o (excelente!) vídeo abaixo mostra o quanto uma boa estrutura não garante necessariamente segurança. Mesmo em terras européias, a cultura da bicicleta ainda não está plenamente  implantada.

Sim, ciclovia é bom. Principalmente para quem está começando a pedalar. Mas não é a solução.  Solução é compartilhar o trânsito pacificamente com vários modais. E perceber que a bicicleta não atrapalha o trânsito. Ao contrário, o deixa mais fluido (ocupa menos espaço), mais humano (olho no olho é muito melhor que insulfilm) e mais sustentável (sem poluição sonora para seu filho respirar melhor e sem poluição auditiva para sua avó se recuperar melhor). É tão difícil?

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