Alternativa sobre Duas Rodas

Reportagem de Daniela Neves publicado na Gazeta do Povo de 15/05/09.

Marcelo Elias/Gazeta do Povo
Marcelo Elias/Gazeta do Povo

O uso de bicicletas nas atividades rotineiras pode ser uma boa saída para as grandes cidades. Ecologicamente correta, saudável e viável para trajetos curtos (é ideal para trajetos de até seis quilômetros), a bicicleta não só tiraria automóveis da rua como poderia ser uma opção para aqueles que não gostam de esperar o ônibus.

Mas quem estuda o assunto diz que Curitiba fica a dever em estrutura capaz de atrair um maior número de ciclistas. “Os trajetos por onde passam as ciclovias da cidade são bons para quem as usa como passeio. Para o dia-a-dia as ciclovias são bastante deficitárias. Servem para os fins de semana”, diz Fábio Duarte, coordenador dos programas de pós-graduação em Gestão Urbana da PUCPR.

Usuário de bicicleta, Duarte diz que o poder público precisa dar condições de segurança para ciclistas e chamar os usuários para a discussão do plano de mobilidade cicloviário, que está sendo desenvolvido.

O grupo Bicicletada, que fez dois desafios intermodais na cidade, mostrando que a bicicleta ganha em tempo de deslocamento dos carros e ônibus, também fez um diagnóstico das ciclovias de Curitiba. No site do grupo,102 pontos críticos de trechos por toda a cidade foram mapeados e são mostrados pelo sistema Google Maps. Buracos, cruzamentos perigosos e má conservação são críticas feitas pelos usuários. “A ciclovia é só um dos itens necessários para os ciclistas. Mais do que isso, é preciso planejar a cidade para a bicicleta como meio de transporte, seja com ciclofaixas ou vias cicláveis, onde haja controle de velocidade e limite para que os carros não passem tão próximos às bicicletas”, diz Luis Cláudio Brito Patrício, de 31 anos, que há quatro vendeu o carro e vai para o trabalho todos os dias de bicicleta.

Bike chique

Algumas dificuldades apontadas por quem gosta de pedalar, mas não usa o veículo no dia-a-dia, é o suor causado pelo exercício da pedalada, que não combina com o vestuário mais formal, necessário para alguns no trabalho. Quem usa a bicicleta diz que, realmente, o ideal seria que os locais de trabalho tivessem vestiários adequados, além de bicicletários seguros. Mas a roupa pode ser adaptada. “Eu levo uma mochila com uma camisa mais formal e não corro no trajeto, por isso não chego suado”, diz Patrício.

Um movimento criado no fim do ano passado em Curitiba quer mostrar que usar bicicleta pode ser chique. OCuritiba Cycle Chic está organizando um desfile com roupas adequadas para o uso da bicicleta e que não deixam a moda de lado. “Não precisa usar roupa esportiva. Queremos quebrar esse estereótipo e mostrar que é possível estar elegante andando de bicicleta. Se na Europa isso é possível, aqui também é”, diz Michele Micheletto, integrante do grupo. A dica do Cycle Chic é usar elástico, ou uma espécie de pulseira, na calça, para não sujar na corrente. As garotas podem optar por sandálias rasteiras e vestidos com shorts por baixo. A racionalidade da muda de roupa extra na mochila também é válida. “Não é chique chegar suado no trabalho. Por isso, nos trechos de subida, é só carregar a bicicleta que tudo fica bem”, diz Michele.

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