Inversão de valores

Artigo muito interessante do Incautos do Ontem, indicado pelo Menos Um Carro:

__Dia desses uma amiga minha soltou a seguinte frase: “Depois que me tornei motorista, eu virei uma pedestre muito mais cuidadosa.”. Enquanto eu pensava em uma maneira educada de dizer que ela é que deveria ser uma motorista mais cuidadosa por ter sido pedestre ou algo do tipo, minha amiga completou: “Tento não ser como os pedestres normais. Eles atrapalham demais.”.
_____Pára tudo! Será que os carrodependentes do mundo se esqueceram que quem dirige aquela arma de mais de uma tonelada (também conhecida como automóvel) é que deve tomar cuidado com os pobres civis? Os motoristas não têm o sacrossanto direito de andarem como querem, por onde querem, com a quantidade de álcool no sangue que querem. Eles estão portando uma arma, nada de errado pode acontecer com os desarmados. Nunca.
_____Imagine a cena. Um cara bombado, tentando se fazer de macho na frente dos amigos, comenta:
_____– Depois que o meu pit bull cresceu eu percebi o quanto essas pessoas que andam na rua são um porre. Dá para acreditar que elas têm a pachorra de não mudar de calçada quando estou passando com o Bush Hussein?
_____Espero que os carrodependentes do mundo consigam entender que o dono do pit bull é que deve tomar conta do seu cachorro e não os transeuntes que têm de mudar de calçada.
_____Claro que é necessário tomar cuidado. Ninguém deve ir lá e pular na frente de um cão potencialmente bravo. O ideal é que quem está passando perto de um cara com um pit bull preste atenção, mas é o dono do cachorro que tem de ser o mais cuidadoso. Se existe o perigo – mínimo que seja – de que o animal morda alguém, coloque uma focinheira. Ou alguém vai achar normal se o bombadão falar:
_____– Que porcaria. Estão vendo esta mancha aqui na minha calça? O Bush Hussein mordeu uma criança e espirrou sangue na minha perna. Por que aquele guri de merda tinha que chegar perto? Agora a mancha não sai.
_____A fala do bombado parece absurda? Não mais absurda do que “Os pedestres atrapalham demais.”. Discorda? Então, pode se preparar para escutar em um breve futuro algo como “Ainda bem que eu passei por cima daquela velhinha, ia demorar muito para ela atravessar a rua. Só espero que não tenha amassado o pára-choque.”.

É por essas e outras que a gente faz a Bicicletada. Para que essa inversão de valores não prevaleça. Nós fazemos um pouco do que o Poder Público deveria fazer, porque alguns representantes são exatamente aqueles que pensam como nas últimas frases do texto.  Então vamos nos mexer! Ação! Não-Violência! Bicicletada!

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