Mais uma tentativa de homicídio

O Código de Trânsito Brasileiro garante às bicicletas o direito de circularem na rua, inclusive protegendo o ciclista com uma preferência universal sobre os carros.

 
Na prática, a coisa é bem outra. Quem pedala diariamente em Curitiba já sabe como funciona; todo dia, na rua, os motoristas pegam as leis, a Constituição, o bom senso, amassam tudo numa bolinha e jogam pela janela. Aliás, fazem isso literalmente – experimente oferecer uma cópia do CTB a um enfezadinho motorizado depois que ele tentou tirar a sua vida com uma fechada.

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Ontem, quinta-feira, 24 de julho, ao final do dia, uma senhora muito respeitável [/sarcasmo] dentro do seu bólido motorizado assassino uno vermelho atropelou um amigo nosso, Eduardo.

 

A situação é uma velha conhecida dos ciclistas. Pedalando pela rua preferencial, Eduardo aproximava-se de um cruzamento, onde do lado oposto a referida senhora esperava para cruzar. O sinal estava verde para o ciclista.

 

[pausa para lembrar de algumas regras e leis]

 
O ciclista possui tripla preferencial nessa situação, afinal:

1. Ele está na rua preferencial;
2. O CTB garante a preferência universal da bicicleta sobre o carro;
3. A Constituição Federal garante o direito à vida (e numa batida carro X bicicleta, quem morre é sempre o ciclista).

 

[/pausa para lembrar de algumas regras e leis]

 
Mas o que acontece na prática é bem diferente. A dona do uno viu que o Eduardo (devidamente sinalizado) se aproximava. Ela, então, olhou no fundo do olho dele e… acelerou, só parando depois de passar com o carro inteiro por cima da bicicleta. Eduardo teve muita sorte e sofreu apenas ferimentos leves. A bicicleta ficou destruída.

 

 

Logo após a tentativa de assassinato, alertada pelo ciclista sobre as leis de trânsito, a respeitável senhora teria declarado: “Onde já se viu uma bicicleta passar no sinal verde na frente de um carro!!!”.

 

Essa é a mentalidade que predomina entre os motorizados em relação à bicicleta. Não só agem contra o Código de Trânsito, passando por cima do respeito à vida e negando a Constituição Federal, mas, além de tudo isso, imaginam que o ciclista é que está errado, invadindo um espaço que não lhe pertence.

 

As providências cabíveis estão sendo tomadas, e a assassina terá que responder na justiça pelo seu crime. Estamos contigo, Eduardo, até o fim.

 

É por essas e outras que seguimos pedalando, transformando opressão e desrespeito em lições e coragem, cada vez mais fortes e determinados contra a maré motorizada. 

 

Não vão nos derrubar.

 

tópico no fórum da bicicletada Curitiba

Código de Trânsito Brasileiro

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