O paradoxo do carro

Texto de autoria do Gunnar no Fórum da Bicicletada Curitiba:

É, na verdade, nada mais do que a velha história: sua liberdade vai até onde começa a do(s) outro(s).

Os donos de carro geralmente usam como argumento a reivindicação do direito de ir e vir, ou seja: paguei pelo carro, tenho o direito de usá-lo. O que eles não percebem são dois detalhes que fazem toda a diferença:

1. O impacto que esse “direito” individual causa na vida de TODAS as pessoas, na cidade e no espaço urbano. Mesmo com o trânsito fluindo (tipo 50 anos atrás), carros – ou seja, uma minoria – já matavam e faziam uso desleal (privilegiado) de um espaço que, na verdade, deveria ser de todos.

2. Se TODOS exercerem esse direito, simplesmente NINGUÉM vai sair do lugar. Esse é o grande paradoxo do carro. A mobilidade perfeita, que se for 100% democratizada leva à imobilidade absoluta.

Seria lindo se todos pudessem ter um carro e com isso se mover livremente por aí, mas esse sistema é limitado, é falho, e não é por ideologia que se diz isso, é geometria espacial mesmo.

É tão irônico ouvir as pessoas reclamando do engarrafamento que vão pegar, na hora de sair da empresa (de carro)… não percebem que elas mesmas estão indo para a rua causar esse engarrafamento!

O mais triste de tudo é que a maioria esmagadora dos carrólatras interpreta os engarrafamentos como “falta de rua”. E os governantes, apesar de saberem que não é nada disso, obedecem ao senso comum para ganhar seus votinhos, aí dê-lhe binários, cortar praças, Estilingão, viadutos, etc. Engraçado que ninguém percebe que, por mais que se faça obras a coisa toda continua ruim.

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