Como perdemos as nossas ruas?

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Há um livreto digital em inglês na página da Bicicletada Curitiba denominado Street Reclaiming. Ele fala de coisas muito simples, mas que geralmente esquecemos. Aqui vai uma versão em português do seu início. Se tiver possibilidade, continuo publicando pequenas porções do texto. Trata-se de sugestões simples para atitudes e atividades de retomada de nossas ruas. O livreto inicia por relembrar como foi que perdemos as nossas ruas para os carros. O nosso colisteiro Antônio já escreveu algo sobre isso em nossa lista de discussão, talvez ele possa nos ajudar nos próximos capítulos. Cabe a advertência de que se trata de uma adaptação livre do texto original.

Certa vez, as crianças brincavam nas nossas ruas e os adultos se encontravam ali para conversar. Com o aumento do tráfego, os pais ficaram intimidados e instruíram suas crianças para brincar na calçada. Mudando as crianças (e outras atividades adultas) para fora das ruas, o tráfego recebeu um encorajamento para ir mais rápido. Isso fez as pessoas se sentirem inseguras para brincadeiras ou manter conversas nas calçadas, então essas atividades se recolheram ainda mais, para dentro das casas. Logo o tráfego tornou-se ainda mais rápido. Na medida em que as velocidades aumentaram, os moradores se recolheram ainda mais, deixando de caminhar, proibindo as crianças de caminhar, e deixaram de estacionar seus carros na rua.

Cada passo deste recolhimento psicológico da rua não somente erodiu a qualidade da vida e das relações de vizinhança e senso de comunidade – também encorajou o tráfego a ir mais rápido, mais uma vez. Isso deixou aqueles que precisam caminhar ou andar de bicicleta mais vulneráveis.

Peters

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