o cachorro e a bicicletada

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Ontem eu esperava o sinal abrir na Sete de Setembro, pertinho do recém inagurado Largo Baden Powell, também conhecido como praça do escoteiro. E vi uma dessas coisas que só apenas quem está a pé ou de bicicleta consegue enxergar. De cima da minha magrela, não conseguia entender para onde (ou para quem) um cachorro na calçada latia.

Ele parecia estar muito irritado e tentava a todo custo afugentar seu inimigo invisível, defendendo seu espaço. Mas não tinha ninguém próximo, muito menos incomodado com os latidos do animal…

Foi aí que percebi para quem o cão ladrava: para os carros que passavam! Não chegava a correr atrás (ele era cachorro e não burro, a velocidade dos carros era muito grande), mas não perdoava nenhum, latia incessantemente.

Os automóveis, que já se transformaram em paisagem urbana, em fundo invisível da cidade, em algo absolutamente normal e esperado, não tomavam esta conotação para aquele cachorro. Ao contrário dos outros cães, que já haviam se acostumado com a situação, para este os carros atrapalhavam, faziam muito barulho, ocupavam espaço, representavam perigo. E ele protestava.

Lembrei da bicicletada. Talvez ela seja mais ou menos como este cachorrinho, lembrando que os carros, sim, incomodam. Embora, na anestesia urbana e na conformidade acomodada, pareça que ninguém mais perceba isto.

Leandro

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