O custo de um acidente em Curitiba

Uma vida humana não tem preço. Mas, com o objetivo de conscientizar motoristas e pedestres dos riscos causados pela irresponsabilidade no trânsito, órgãos de trânsito de todo o País costumam calcular os prejuízos sociais causados pelos acidentes ocorridos em áreas urbanas. E os valores chegam a ser assustadores: somente até o mês de setembro deste ano, Curitiba teve um prejuízo de mais de R$ 200 milhões com os acidentes de trânsito.

O valor é calculado com base em uma tabela mundial da Organização Mundial de Saúde (OMS), que leva em conta os danos causados nos veículos, a remoção de feridos e o tratamento médico-hospitalar, os custos previdenciários e referentes a processos judiciais, os gastos gerados pelos danos na sinalização, o atendimento policial, a utilização de outros meios de transporte e até a custo de perda de produção (em caso de mortes), entre outros.

De janeiro a setembro deste ano, segundo o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran), foram registrados 20.309 acidentes em Curitiba. Em 14.545 dessas ocorrências não houve vítimas; foram 5.764 acidentes com vítimas (feridos), 1.221 atropelamentos e 93 mortes (65 no local do acidente).

Pela tabela da OMS, um acidente sem vítimas tem um custo social de US$ 1.410 (R$ 4.070,67, pela cotação do dólar de ontem). Acidentes com vítimas custam US$ 5.640 (R$ 16.282,68); atropelamentos, US$ 8.460 (R$ 24.424,02), e acidentes com mortes, US$ 141 mil (R$ 407.067). Com base nesses valores, o custo social dos acidentes em Curitiba entre janeiro e setembro deste ano atinge exatos R$ 200.859.069,81 (US$ 69.573.630).

Considerando-se apenas as mortes ocorridas no local do acidentes (os órgãos de trânsito não levam em conta as mortes ocorridas posteriormente), o custo cai para R$ 189.461.193,87. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, publicou em maio deste ano um estudo sobre o custo social dos acidentes em áreas urbanas. Os valores são menores que os da OMS: R$ 3.262 em acidentes sem vítimas, R$ 17.460 em acidentes com feridos e R$ 144.143 em acidentes com mortes (o Ipea não especifica o valor de atropelamentos). O custo médio de um acidente, segundo o Ipea, é de R$ 8.782. O custo médio de acidentes com vítimas sobe para R$ 35.136. Pela tabela do Ipea, o custo social dos acidentes de trânsito em Curitiba, entre janeiro e setembro deste ano, foi R$ 161.490.529. Consideradas apenas as mortes ocorridas nos locais dos acidentes (65 até agora), o valor cai para R$ 157.454.525.

A Diretran, órgão responsável pelo trânsito em Curitiba, utiliza os dados da OMS, já que o estudo do Ipea, denominado Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas Aglomerações Urbanas, foi realizado com base em dado obtidos apenas em quatro capitais brasileiras: São Paulo, Porto Alegre, Recife e Belém.

De acordo com o Ipea, o custo médio de atendimento hospitalar por paciente varia de R$ 645 a R$ 47.588, para não internados e internados, respectivamente. “Essa tradução em números é importante”, afirma o diretor de trânsito de Curitiba, Lanes Randal Prates. “O cidadão que nunca se envolveu num acidente talvez não entenda o processo sentimental, mas vai entender o lado econômico. Se os números alterarem o comportamento de apenas um cidadão, já vale a pena”.

Jornal do Estado do Paraná

Publicado originalmente em: Notícias – Perkons

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