Carrólatras Anônimos
Hoje amanheceu chovendo muito.
Obrigado Senhor,
Por mais um dia sem carro.
Obrigado porque me permitiste vencer todas as tentações.
Todas as vezes que cedi arrependi-me, mas nunca no caso contrário. Os documentos no bolso, a chave pendurada no cós, o carro na garagem, a chuva copiosa. Soube que teve até granizo, mas no momento em que eu saía, ela, que já tinha parado, voltou num ritmo abundante mas encarável.
Obrigado porque consegui pedalar na chuva bem devagar com o abrigo de motociclista recortado em alguns pontos, indo pela canaleta dos ônibus expressos, sem precisar praticar uma condução veicular para a qual o esforço e o risco seriam maiores.
Obrigado por me permitir perceber que sou perfeitamente capaz de viver sem o carro, o “amigo” (ou a “família devoradora de recursos”) que tem as suas qualidades, sem dúvida, mas que pode ser cheio de falsidades e provocar danos, assim como o álcool e a nicotina, ligados ao sedentarismo, à poluição do ar, à poluição pelo barulho, à privatização do espaço público, ao pecado capital da preguiça, à morte direta e indireta não apenas dos seus usuários, mas da população como um todo. E que assim posso usá-lo apenas quando houver muita, mas muita precisão mesmo – embora a cada dia eu perceba que ele pode ser bem menos necessário do que eu pensava, sem precisar odiá-lo por falhas que são
minhas.
Obrigado por me permitir compreender e ter compaixão pelos carrodependentes, que sucumbem inconscientemente a essa doença, fomentada ao extremo pela indústria capitalista irresponsável. Espero poder ajudar-lhes pelo esclarecimento
e pelo exemplo, para que possam reconectar-se consigo mesmos e terem mais alegrias nas suas vidas, como eu as tenho na hora de ir trabalhar.
Que eles aprendam, nos congestionamentos cada vez maiores, que a bicicleta é o veículo mais racional nos deslocamentos urbanos, assim como os transportes coletivos, e deixem de acreditar em fantasias mirabolantes de liberdade motorizada.
Obrigado por permitir que estas palavras venham do coração, porque vividas realmente, e não sejam “só da boca para fora”.
Obrigado por mais 24 horas sem carro (não considere o pequeno trajeto do posto de lavagem até em casa, por favor).
Só por hoje. Mais um dia sem carro. Um carro a menos. Obrigado.
Peters, achei muito legal o texto. Parecia que eu estava lendo meus pensamentos no blog!
Por: Lia em 1 Outubro, 2008
às 10:35 pm
Amém.
Só por hoje não usarei o carro.
Por: meandros em 1 Outubro, 2008
às 11:27 pm
Ir trabalhar de carro já é página virada, há muito tempo pra mim. Mas em dias de chuva, sempre bate uma tentação pra ir de coletivo, mas quando isso ocorre, me arrependo mmuito. Hoje encarei a chuva leve (depois da pesada). Como não aderi a roupa de motoqueiro, ousei usar o guarda chuva num trecho onde a chuva engrossou. Como eram ruas tranquilas, foi fácil pilotar com apenas uma das mãos. Mas na região do centro, onde eram carros demais (parados), desisti do guardachuva, por sorte no são pedro estava do meu lado e a chuva ficou quase nada. Me molhei um pouquinho, mas como carrego um bom porta-malas, com muita coisa útil, troquei a roupa e fiquei pronto para trabalhar. No final do dia, surpresa, pneu furado (dianteiro), segunda vez na semana. Com uma camara reserva e a bombinha, em cinco minutos lá estava prontinho pra ir embora pra casa.
Por: divo em 1 Outubro, 2008
às 11:49 pm
[...] o Peters, de bicicleta até o trabalho Depois de abandonar o vício do carro, nosso amigo Peters pedala até o [...]
Por: com o Peters, de bicicleta até o trabalho « bicicletada curitiba em 2 Outubro, 2008
às 3:08 pm
[...] qualquer um que ande regularmente de bicicleta. Um bom exemplo disso é o do nosso amigo Peters num artigo escrito recentemente. Solução de problemas, insights para vida pessoal, idéias para criação de textos, compreensão [...]
Por: Fábrica de idéias « bicicletada curitiba em 8 Outubro, 2008
às 12:00 pm