“O Brasil teve na semana passada uma ótima notícia: ganhou uma posição no ranking de produção mundial de veículos e é sexto colocado, ultrapassando a França (vingança pelas derrotas nas Copas do Mundo de 1998 e 2006?).
De janeiro a julho, nossa indústria produziu 2 milhões de veículos. Os números nos colocam apenas 800 mil unidades atrás do quinto colocado, Coréia do Sul, e 1,3 milhão em desvantagem ante a Alemanha, quarta.
(…)
Quanto às posições de Japão, China e EUA, elas parecem fazer parte de um outro universo (são, na ordem, primeiro, segundo e terceiro colocados). Possivelmente, esse também era o pensamento do tenista Rafael Nadal em 2004, quando observava os pontos de Roger Federer no ranking do esporte (na segunda-feira que vem, o espanhol assumirá a primeira posição nessa lista). E do nadador americano Michael Phelps há alguns anos. Em Pequim, ele pode superar o recorde olímpico registrado por Mark Spitz em 1982 (oito medalhas de ouro).
As comparações são otimistas demais, admito. Mas o que seria do espírito competitivo sem a motivação e a esperança? Estou na torcida pelo Brasil no ranking mundial de produção de carros. E também no quadro de medalhas dos Jogos de Pequim.”
Reparem no uso descarado da linguagem do mundo dos esportes, comparando a sanha desmedida, assassina, poluidora e insustentável da indústria automobilística com o sadio espírito de competição olímpico.
A indústria automobilística brasileira tem muito o que comemorar. Alimenta um sistema que mata 4 pessoas por dia em acidentes e mais 8 por doenças respiratórias. Em São Paulo, a cidade que não pára , os engarrafamentos voltaram a passar dos 200 km na semana passada (devidamente atribuídos a São Pedro).
No ritmo atual, tudo indica que, com garra e muita dedicação, a indústria automobilística, associada às políticas de planejamento urbano voltadas exclusivamente ao carro particular e contando com o apoio total do povo brasileiro, conseguirão superar essas marcas em pouco tempo. Parabéns.

pra frente brasil, rumo ao apocalipse motorizado.
É no minimo rídiculo o grau de importância que o carro assume, como uma coisa boa que dá status pessoal e nacional também.
Sempre penso nisso quando vejo aquelas classicas noticias a nivel de jornal nacional comemorando o aumento na venda de carros… e logo depois alguma noticia triste por algum acidente ou uma revoltada por causa do tamanho dos engarrafamentos.
Por: Nathalia em 13 Agosto, 2008
às 5:57 pm
Tirando os EUA, os demais produtores não destruíram a mobilidade por bicicleta, ao contrário, apresentam alta participação desse modal.
Apesar de todo o nosso esforço para transformar a bicicleta em brinquedo e equipamento esportivo nos grandes centros urbanos, a bicicleta ainda resiste e vai ser útil por muito tempo!
[Peters, mesmo nos EUA há cidades como Portland e Berkeley, referências mundiais em apoio e infraestrutura à bicicleta.]
Por: Peters em 13 Agosto, 2008
às 6:16 pm
“Já os jovens Junya Miyashita e Takuma Chokyu, também de 16 anos, destacaram o modo como os estudantes brasileiros vão para a escola. “Aqui, os pais levam seus filhos para o colégio ou os estudantes pegam ônibus para chegar à escola. Em Himeji, vamos sozinhos, de bicicleta. Notamos que, no Brasil, também se utiliza pouco a bicicleta em comparação com o Japão.”
http://www.parana-online.com.br/editoria/almanaque/news/317353/
É um outro Universo mesmo.
A pessoa que compra carro lá tem que provar dispor de espaço para guardá-lo. Mesmo sendo dado como o maior produtor, lá eles usam bicicleta independentemente da escala social.
Portland e Berkeley são exceções … Nova Iorque tenta achar o caminho.
Já nós temos muito mais ciclistas do que usuários de carro, mas somos invisíveis…
E conseguimos a proeza de remover uma ciclovia de um projeto de revitalização de avenida de uma capital brasileira (Floripa):
http://www.folhadecoqueiros.com.br/geral.html#projeto?utm_source=Zartana&utm_medium=emailmarketing&utm_campaign=Dia+dos+Pais&utm_content=Pr%F3-Coqueiros+procoqueiros@ig.com.br
Por: Peters em 13 Agosto, 2008
às 9:01 pm
Jisus! quanto ódio!
me esclarece uma coisa: afinal, você é contra a produção de carros ou a produção de poluição pelos automóveis? são duas coisas bem diferentes…
[Os automóveis (e qualquer coisa que venha deles) é que são contra os seres humanos, a cidade, a convivência, a mobilidade e a vida. Obrigado pelo comentário.]
Por: empreendedorargh em 14 Agosto, 2008
às 12:11 am
Mudando rapidinho de assunto e falando sobre olímpiadas, já notaram a cara de pau dos jornais na tv nos últimos dias? (ou será que foi sempre
) Exemplo do por que digo isso: “Conflito na Georgia, já são trocentos mortos, trocentos elevados a enésima potência de desabrigados e só desgraça, mas (carinha feliz do(a) apresentador(a)) o fenomeno maicou félps conquista mais umas medalhas e bla bla bla… só resta rir.
Por: Antonio em 14 Agosto, 2008
às 2:29 am
Posso ter me enganado, pois o problema na Ásia não é tão tranquilo quanto possa parecer para nós:
http://www.ibike.org/economics/asia-bicycle-decline.htm
Por: Peters em 14 Agosto, 2008
às 6:37 am
“Os automóveis (e qualquer coisa que venha deles) é que são contra os seres humanos, a cidade, a convivência, a mobilidade e a vida.”
Ah! agora entendi. mas você tá se confundindo…esses não são os carros, são os Decepticons.
[Não sei o que são Decepticons, mas definitivamente, eu estava me referindo aos carros, sim senhor. Todos eles.]
Por: empreendedorargh em 14 Agosto, 2008
às 11:43 am