Publicado por: Peters | 3 Maio, 2008

Rodízio de carros em Curitiba?

Está em pauta de discussão na Câmara de Vereadores de Curitiba um projeto que estabelece rodízio de carros no Centro da cidade. O assunto vem sendo tratado com freqüência pela mídia.

A Vereadora Roseli Isidoro, que sempre foi muito receptiva aos ciclistas, está encarregada de relatar o projeto, e pediu aos membros da Bicicletada manifestações sobre o tema.

Creio que, no espírito que norteia a Bicicletada, a discussão de pontos de vista dos ciclistas pode e deve ser pública e aberta, razão pela qual transcrevo aqui a mensagem recebida através da página da Bicicletada Curitiba e postada no respectivo Fórum (onde há tópicos abertos e outros apenas para pessoas registradas no mesmo).

Esperamos comentários.

Prezados membros da Bicicletada

Como Vereadora de Curitiba, integrante da Bancada do PT na Casa, fui designada pela Comissão de Urbanismo e Obras da Câmara Municipal de Curitiba, relatora do Projeto de Lei de autoria do Vereador Custódio da Silva (PR), que institui no Município de Curitiba o Programa Municipal de Restrição à Circulação de Veículos Automotores – rodízio de automóveis.

Embora no mérito contrária a proposta, acredito que Curitiba se aproxima da realidade vivenciada por várias cidades brasileiras no que diz respeito aos grandes congestionamentos, em muitos casos, traduzido em “caos no trânsito”. Para muitos, opinião pública, cidadãos, pesquisadores , usuários e especialmente condutos de veículos na nossa cidade, a medida divide opiniões. Neste particular, entendo que é oportuno nesse momento, trazermos para pauta essa discussão, não apenas com o olhar sobre adotar ou não essa medida. Mas sobretudo, travarmos discussão com relação às ações possíveis de serem viabilizadas, principalmente no que diz respeito a mobilidade urbana – modal bicicleta, educação no trânsito, necessidade de maiores investimentos no transporte público – coletivo, entre outros temas, que a Gestão atual da cidade, tem discutido, mas na minha opinião de forma muito mas muito incipiente e sem participação necessária da população, maior interessada nesses temas.

Nesse sentido, reside a nossa proposta já aprovada pela Comissão de Urbanismo, de realizarmos uma Audiência Pública sobre o tema, objetivando ouvir a opinião da população, dos motoristas, dos diversos segmentos que atuam nessa área de trânsito, especialistas da nossa cidade, assim como conhecer os resultados da experiência de 10 anos da Lei em São Paulo. Já temos confirmadas presenças de representantes da UFPR, do DETRAN-PR, da URBS/Diretran, USP-SP, Ministério das Cidades, entre outras autoridades no tema trânsito. Daí reside o nosso desejo e convite de poder contar com a participação da Bicicletada nesse evento, inclusive para compor a mesa de debate, que acontecerá no próximo dia 20 de maio (terça-feira) com início às 14h00 e término às 18h00, no Auditório da Câmara Municipal de Curitiba.

No aguardo do retorno, desde já, agradeço se pudermos contar com a importante contribuição da Bicicletada neste debate.

Solicitamos, também auxiliar na divulgação do evento, por entender que tema a interessa a todos e todas.

Saudações Parlamentares

Vereadora Roseli Isidoro


Respostas

  1. Nenhuma medida drástica ou imediata irá resolver o problema do trânsito. Ninguém vai deixar de usar o carro assim.

    É preciso uma mudança gradual do planejamento voltado aos carros para o planejamento voltado às pessoas.

    Isso conduzirá a mudança de comportamento.

    Leis e projetos não deveriam pensar nos carros e sim nas pessoas.

  2. É melhor fazer alguma coisa ou não fazer nada?
    (eu não tenho a resposta …)
    Para quem usa a bicicleta talvez seja melhor deixar como está, pois o grande volume de automóveis provoca redução geral da velocidade e consequentemente dos riscos de colisões.
    Pensando-se em facilitar a circulação de ônibus, qualquer medida, mesmo em caráter experimental, deveria implementada.
    Já ouvi sugestões de pedágio ou taxa de congestionamento para a área central, melhorando as condições de circulação e estacionamento do anel formado na perímetro dessa região.

  3. Eu acho muito interessante que a proposta da Bicicletada seja justamente apoiar o debate público dessa questão! Uma audiência pública na câmara de vereadores é um grande e importante passo, para democratizar o debate, mas por si só não garante que o assunto seja realmente discutido pelas pessoas em geral. É importante ter isto em conta na nossa política.

    Sobre a “opinião da Bicicletada” no debate, acredito (e posso estar errado) que desde já não teremos a homogeneidade necessária para fechar uma proposta que seja a proposta da Bicicletada sobre o rodizio de carros. Ainda que nossas opiniões possam ser iguais em muitos pontos, seria mesmo preciso discutir mais isto “internamente” (se é que a bicicletada tem alguma coisa interna…).

    Agora, pessoalmente e de forma mais propositiva: em um primeiro olhar sobre a matéria, será que o rodízio de carros não seria apenas uma forma de amenizar a situação, maquiar a realidade e fazer parecer que existe mais espaço na cidade, estimulando a aquisição e o uso de automóveis até uma nova situação-limite? Penso então que a proposta da Bicicletada (se é que deva existir uma) deva ser, óbvio, o desestímulo do carro, ou seja, leis e obras que permitam a mobilidade pela bicicleta e pelo transporte coletivo.

  4. No rodízio, quem tem grana compra mais carros e o caos continua.


Deixe uma resposta

Your response:

Categorias