Publicado por: bicicletadacuritiba2 | 27 Fevereiro, 2008

o cachorro e a bicicletada

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Ontem eu esperava o sinal abrir na Sete de Setembro, pertinho do recém inagurado Largo Baden Powell, também conhecido como praça do escoteiro. E vi uma dessas coisas que só apenas quem está a pé ou de bicicleta consegue enxergar. De cima da minha magrela, não conseguia entender para onde (ou para quem) um cachorro na calçada latia.

Ele parecia estar muito irritado e tentava a todo custo afugentar seu inimigo invisível, defendendo seu espaço. Mas não tinha ninguém próximo, muito menos incomodado com os latidos do animal…

Foi aí que percebi para quem o cão ladrava: para os carros que passavam! Não chegava a correr atrás (ele era cachorro e não burro, a velocidade dos carros era muito grande), mas não perdoava nenhum, latia incessantemente.

Os automóveis, que já se transformaram em paisagem urbana, em fundo invisível da cidade, em algo absolutamente normal e esperado, não tomavam esta conotação para aquele cachorro. Ao contrário dos outros cães, que já haviam se acostumado com a situação, para este os carros atrapalhavam, faziam muito barulho, ocupavam espaço, representavam perigo. E ele protestava.

Lembrei da bicicletada. Talvez ela seja mais ou menos como este cachorrinho, lembrando que os carros, sim, incomodam. Embora, na anestesia urbana e na conformidade acomodada, pareça que ninguém mais perceba isto.

Leandro


Respostas

  1. A analogia é perfeita. Os motorizados podem até não entender a bicicletada, podemos até não conquistar adeptos ou gerar consciência através dela, talvez até o contrário: arrumamos mais inimigos que amigos. Não importa! Com certeza conseguimos um pouquinho que seja de visibilidade (principalmente com as mandalinhas, hehehe) e damos o nosso “latido” mensal, essencial para manter a paz interior e angariar força e coragem para continuar pedalando contra a maré.

  2. Na mesma Sete de Setembro presenciei outra cena curiosa. Um cachorro, parado na esquina, olhando para cima. Aguardou o sinal fechar e atravessou calmamente pela faixa de pedestres. Achei aquilo surreal! Até nas bicicletadas eles já estão aparecendo.

  3. [...] fluxo 4, março 04e 2008 at 10:17 am | In desenhos | Sempre tem dessas. [...]

  4. Bah, lembro toda hora disso.

    Quando vou dormir, quando acordo várias vezes durante a madrugada, quando acordo de manhã, e quando tento passar meu dia em casa, não varia o mal estar: as buzinas e os carros, toda hora.

    Já tentei várias vezes acionar a prefeitura para colocação de radares e outras medidas para conter o barulho e a velocidade. Mas sabemos muito bem o tipo de atuação da prefeitura de Curitiba para com o trânsito, e para com os pedestres…


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